Bloody Eve - Traição. Chapter 5

Os olhos de ambos estavam com total foco nas pupilas de cada um, o transe hipnótico que havia sido provocado naquele lugar estava quase a encaminhar um selar de lábios entre os seres presentes. Contudo, um estrondo foi ouvido e Lucia despertará de seu transe, lembrando que seus dois companheiros ainda estavam à batalhar nos outros andares. Tudo que Lucia conseguiu identificar pelo som emitido a pouco, foi que ele havia vindo do último andar, aonde Marco e Kimi batalhavam ferozmente.

─ Eu preciso ajudá-los! ─ Lucia se pôs a sair de perto de Black, mas antes que deixasse a sala foi pega pela mão em um ato repentino, fazendo com que a garota voltasse a olhar fundo nos olhos do homem.

─ Por favor, leve isso ─ Ele retirou de algum bolso dentro daquele sobretudo, um broche com um laço em formato borboleta e em seu centro, um pequeno diamante reluzia gracioso a enfeitar o acessório. 
Lucia olhou confusa para ele, tentando entender o que aquilo significava, logo, para resolver isso Black começou a explicar.

─ Quando precisar de ajuda, basta apertar este diamante. Ele acionará um dispositivo que me avisará aonde você está ─ Ele colocou o objeto nas mãos da garota e aproveitou para puxá-la e beijar o dorso de sua mão.

─ Se cuide ─ Depois disso, Lucia saiu correndo, ao lado de Sylveon e Marshtomp, não demorou para que ela chegasse no segundo andar. Seu campo de visão finalmente alcançou toda a sala, dando-lhe a vista de Leo comandando um último golpe a seu pokémon, que pela fadiga, estava bastante debilitado, contudo, não mais que seu adversário.

─ Metal Claw! ─ Empoleon fez um de seus braços brilhar em uma cor metalizada e finalmente, esse braço alcançou Kirlia, que foi lançada para longe, atingindo seu mestre e deixando ambos inconscientes.

─ Leo! ─ Lucia chamou o nome de seu amigo e este virou-se em direção a ela com um sorriso vitorioso no rosto. 
Eles correram ao encontro um do outro e Lucia o parabenizou, mas logo em seguida perguntou:

─ Foi difícil? Como você está? ─ Leo balançou a cabeça afirmativamente, tomando as lembranças da batalha em sua mente:

FlashBack

─ Se lembra de quando eu te torturava? Sinto falta desse tempo, era tão fácil e eu ganhava um recompensa sempre que fazia isso ─ As palavras do jovem tinham a óbvia intenção de provocá-lo, mas pela expressão séria de Leo não estavam fazendo qualquer efeito.

─ Empoleon, Drill Peck ─ Da forma mais calma possível, ele proferiu os comandos a seu pokémon, e este se preparou, fazendo seu bico brilhar intensamente e finalmente acertando Kirlia em cheio de surpresa, já que nem o pokémon, nem seu mestre esperavam pelo golpe.

─ Maldito! Kirlia, humilhe-os! Use Double Team, depois Magical Leaf ─ Kirlia se levantou, recuperando-se do golpe anterior e logo criou vários clones de si mesma, fazendo estes rodearam o oponente de modo que fizesse ele desconfiar da identidade de cada um, buscando encontrar a verdadeira. Para finalizar, um tornado de folhas foi formado por cada clone, contudo, apenas um era verdadeiro e sabendo disso, Leo se aproveitou, comandando seu pokémon:

─ Empoleon, use Whirlpool, em seguida Hydro Pump ─
O tipo aquático criou antes do tornado de folhas lhe acertar, um redemoinho d'água que absorveu aquele golpe, dissipando os falsos e revelando da onde o verdadeiro havia vindo, dando a chance de Empoleon identificar a verdadeira e desta forma, lança-se para ela Whirlpool + Hydro Pump, causando um estrago nada leve na mesma.

─ Se recomponha, vamos com Hypnosis! 
A esbranquiçada se pôs em frente ao seu oponente, se preparando para cumprir os comandos, mas antes que isso pudesse ser concluído, o rapaz adversário foi mais rápido:

─ Metal Claw! 

Fora do FlashBack

─ Vamos ajudar o Marco ─ Lucia assentiu com a cabeça e os dois partiram em disparada para o último andar.
Ao chegarem, se depararam com Marco caído no chão, sendo observado por Kimi que comandava seu Gengar com um sorriso macabro no rosto. O pokémon fantasma estava prestes a acertar Galvantula com um poderoso Shadow Claw impiedoso, entretanto, antes que isso pudesse se concluir, Lucia comandou à Sylveon:

─ Sylveon, Psychock agora! ─ A tipo fada lançou uma esfera em direção ao fantasma, que foi pego de surpresa, ficando atordoado pelo golpe efetivo.

Estes aproveitaram para correr para fora, antes, Leo apanhando Marco e Empoleon Galvantula. 
Kimi tentara impedi-los, mas foi parado por Marshtomp, que agiu sem nenhum comando, utilizando Rock Slide, acertando em cheio o jovem e o deixando inconsciente. 

Eles saíram de lá e finalmente, retornaram ao esconderijo.

─ Marcoo! ─ Gritou uma jovem de cabelos esverdeados correndo em direção ao rapaz desmaiado.

─ Calma Marriland, ele só está inconsciente ─

─ Cala boca, como você deixou isso acontecer, vocês são dois irresponsáveis ─ A menina retrucou com Leo, que apenas deu de costas e foi cuidar de seu pokémon ferido. Lucia fez o mesmo, mas esta procurava por Alice, para lhe entregar seu pokémon, que estava morto de saudades de sua mestra.

Wallace revelou a localização da menina, sendo ele, o lago de treinamento. A garota fez questão de ir até lá, e assim que chegou no lugar, avistou a loira sentada na beira do lago, jogando pedras com um olhar depressivo no rosto. Lucia caminhou com passos silenciosos até ela, e quando ficou próxima o suficiente, segurou em seus ombros com intenção de assustá-la, depois dizendo um "Buu", cheio de graça.
A mulher virou-se em direção a amiga e seus olhos se encheram ao presenciar Marshtomp a sua frente de novo, parte do gramado foi arrancado na hora em que Alice levantou correndo para apertar seu pokémon entre seus braços.

─ Dino.. achei que nunca mais ia te ver ─

O pokémon retribuiu aquele abraço, derretido em lágrimas. Se por um acaso Lucia tivesse uma câmera, com certeza registraria aquele momento tão emocionante.

─ Obrigada Luh, vou te dever pelo resto da vida ─

─ Não se esqueça de agradecer ao Marco e ao Leo também, eles foram mais prejudicados do que eu nessa missão ─ Alice assentiu com um sorriso de orelha a orelha no rosto, 

As duas estavam prestes a voltar para o subsolo, mas de repente escutaram gritos que foram se aproximando delas, revelando três jovens garotos, Blaze, Diego e Nicolas, desesperados com expressões nada agradáveis no rosto, chegando eufóricos.

─ Até você por aqui Blaze, o que há ─ indagou Lucia preocupada. Não era mesmo normal que Blaze saísse de seu quarto, o garoto vivia enfurnado neste, e poucos sabiam o motivo.

─ Estão atacando o esconderijo! Chegaram lá do nada ─ Dizia Diego com os olhos marejados. 

─ Tem gente lutando, mas o Wallace pediu para chamar vocês, vamos nos retirar, estamos perdendo! ─ Nicolas explicou o resto da situação, deixando ambas as garotas boquiabertas.

Eles correram de volta para o local, e quando chegaram se depararam com muitos artigos e objetos pegando fogo, tudo bagunçado e destruído e muitos, quase se rendendo aos inimigos. Lucia e Alice foram de encontro com Wallace e este começou a explicar seu plano de fuga.

As bandeiras com o nome do clã, "Escarlate", estavam se dissipando aos poucos e tudo que restava era algum dia, re-costurar essa bandeira. Mas para isso, precisavam antes escapar daquilo.

─ Como isso pode acontecer...  ─ Lucia disse em um tom de voz baixo o suficiente de modo que só ela mesma pudesse ouvir. Nesse momento ela se lembrou do broche que havia ganhado de Black e retirou ele do bolso, estando prestes a apertá-lo, mas antes disso, a imagem do homem se fez presente naquele diamante, trazendo a surpresa da garota, e quase, o grito.

─ Olá Lucia, como estão as coisas por ai? Pegando fogo? ─ O homem soltou um riso sombrio e Lucia apertou o acessório entre suas mãos, segurando o choro, que era provocado pelo deciframento daquela situação.

─ Isto é um rastreador, não é? ─ Perguntou Lucia, mesmo que já soubesse a resposta. 

─ Ora, até que você não é tão lerda quanto eu pensei. Bem, agora que você já entende tudo, vou parar a transmissão, não quero mais ter que olhar para sua cara ─ 

Finalmente, Lucia jogou aquele rastreador no chão e por fim pisou nele com força, mesmo depois de destruído, ela continuou pisoteando o mesmo, até que este estivesse em estilhaços, enquanto suas lágrimas cobriam seu rosto branco.

Os joelhos dela tocaram o chão, e o arrependimento lhe cobriu por completo.

"Me desculpem, eu sou uma idiota, sou o karma desse clã", as frases não paravam de invadir sua mente, juntamente, da culpa que lhe esfaqueava o peito. O fogo começava a aumentar, era hora de agir, pois a verdadeira guerra acabava de começar.

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